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Manuel Bandeira - Preparação para a Morte

A vida é um milagre. Cada flor, Com sua forma, sua cor, seu aroma, Cada flor é um milagre. Cada pássaro, Com sua plumagem, seu vôo, seu canto, Cada pássaro é um milagre. O espaço, infinito, O espaço é um milagre. O tempo, infinito, O tempo é um milagre. A memória é um milagre. A consciência é um milagre. Tudo é milagre. Tudo, menos a morte. Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres! Parabens Dourado, torci muito por ti

Final

Anja do ébano Beije-me e abrace-me Leve-me com suas asas negras Para longe de todo esse Desespero!

Livro da Vida

Paginas, viradas pela dor Manchadas pelo arrependimento Rasgadas em agonia Mas lidas apenas No final Ultima epopéia Por que o sangue escorrido Não é mais nada Quando a alma já se perdeu Além do véu

Loucura ou Insanidade

Grilhões Que ceifam Que torturam Que aprisionam Que alucinam alguém Mesmo louco como sou A alucinar Que são não estou

Desespero

Essa dor que me desperta Não é só física Nem da alma É da mente turva Que é se a turba do ápice É o delírio do corpo E o enterro da alma Dilúvio da mente Desespero...

Destino

Pois meu amor se perdeu E a vida se corrompeu E o sagrado que é profano De profano me tornou humano Desilusões que criam a ilusão De temor do certo Que me torna tão incerto Pois palavras da mentira São apenas mais mentiras Destinos certos e opostos Ou opostos do inverso

Razões e Sentidos

Essa vida sem sentido De nada me vale Até mesmo o próprio sentido Deixou de ter ou fazer Sentido