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Cacos

Estou quebrado De uma forma irreversível Estou acabado Me curar é impossível Corpo e alma completamente partidos Desde o início Embotados eram meus sentidos Antes não chorava Não conhecida a beleza de uma flor Agora eu grito Do mundo não vejo mais a cor Apenas existo Com a alma cheia de rancor Hoje, desisto Dessa vida sem amor

Desejo

Espero que você nunca tenha que sentir A dor de ver sua alma gêmea partir Com um sorriso no rosto azul, pendurada E sentir para sempre sua alma ser rasgada O passado é impossível esquecer Cada vez que fecha os olhos, aquela cena rever Sua culpa para sempre atormentar Não ter mais um lar para voltar E saber que em nenhum outro irá sentir O mesmo amor que viu partir
Desejar que o motivo pra se manter vivo morra é errado? Mesmo se eu já não suportar mais esse fardo? Preferiria que ela não tivesse sobrevivido Que fosse em paz, sem enfrentar esse dia a dia sofrido Presa a uma cama não tivesse ficado E a dama sombria de sua presença tivesse se agradado Não me haveria propósito, nem ultima promessa Poderia seguir em frente, sem nada que me impessa Não seria essa pessoa rancorosa que me tornaria Me libertaria dessa cruz e viver novamente iria

Casta dama

O brilho negro em seus olhos A beleza rara e maldita de sua face O rubro de seus lábios... Sim, estou indo Mas do beijo da morte aproveitarei Sua castidade levarei Junto à minha alma Direto para o inferno

Memórias em cristais

Translúcido cristal trabalhado Refletindo em suas várias faces A chama maestral e bela: A vida que queima e ilumina Beleza morna, distorcida e ampliada Todas essas lembranças Minhas e de muitos outros Dançarinas do tempo Enebriadas por essa luz Sussurram em minha mente A escuridão da repetição do tempo

Querida amiga

Vamos juntos por esse mundo monocromático Ainda que de uma cor, belo ele é Não se iluda com palavras românticas Essa existência é apenas real, realista Sem a beleza cantada pelas três gerações Sendo o moderno, apenas uma visão pessimista Ande comigo, para sempre, nesse mundo cinza

Querida morte

Responda-me, ó anja de ébano Por que suas asas são negras? Por que suas lágrimas são rubras? Esperei por ti um longo tempo Mas agora que estás aqui Arrependo-me, pois neste purgatório Encontrei belas almas perdidas E corpos vazios, que me fazem Querer um pouco mais ficar Quando escrevi esse texto, a tantos anos atrás, marquei ele com um grande X e uma anotação do lado "Ficou horrível" Posso não gostar, mas faz parte de mim, e uma bela alma me convenceu a colocar todos aqui