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Diga-me criança, o que queres fazer? O que precisa perder para se mexer? Não brinque, criança, com os sentimentos Sua indecisão lhe derrubará nos piores momentos Me odeie, me exclua, mas tenha na mente Quero apenas o bem de minha gente E se pra isso tiver que lhe magoar... Só não fale que não tentei lhe avisar
Você foi um pequeno facho de luz Que criou penumbra nesse caminho de escuridão E como toda luz, as sombras te acompanham Pois a luz é dual, enquanto a escuridão é única Você trouxe a sombra de um passado distante Um passado que a muito abandonei Engolido pela escuridão mais profunda Dos caminhos errados que peguei Você foi o lusco fusco deste amanhecer E quando partes, à escuridão retorno Apenas com a lembrança do seu perfume a me sustentar Prometo que tentarei não lhe magoar Que tentarei meu passado relevar E as pessoas que não estão mais aqui, Superar… Então fique comigo Entre em mais mais uma dança nesta noite Deixe-me mostrar que posso Ao menos tentar Lhe fazer feliz
Busco a luz, mesmo sabendo que sou escuridão Busco a paz, mesmo sabendo que não a mereço Busco a mim, no meio do turbilhão Busco sonhos, mesmo que dantescos Sou pesadelo e dor Solidão e esquecimento Uma alma perdida procurando o que for Perdão ou salvamento Em busca de um fim Ou um novo começo Derramando lágrimas, enfim Nesse coração feito de gesso
Simplesmente exausto Não tenho mais onde segurar Queria por um dia ser Fausto Para Mefístoles enfim me entregar Minha alma por um pouco de paz Minha vida pela do meu amor Dentro desta casca amor não se faz A vida me é, então, um eterno terror
Hoje eu só queria conseguir chorar Conseguir um pouco de clareza Queria seguir em frente e voltar a amar Ter o poder de deixar pra trás essa tristeza Mas ainda sonho com tudo que destruí Sonhos ruins, onde pago por meus erros Opressores, mas, nessa vida que não escolhi Muito melhores são os pesadelos

O homem invisível

Era solitário, o homem invisível. Todos lhe amavam mas ninguém o enxergava. Era pai,  irmão,  amigo,  confidente,  amante,  protetor.  Mas mesmo sob holofotes,  simplesmente não era. Estava sempre lá,  sem ser notado.  Ouvia os segredos,  aprendia,  sentia.  Era a muralha e o inimigo,  sem lhe notar, seu poder temiam. Sabia muito,  mostrava pouco.  Logo esquecido,  nenhuma falta fazia. E sozinho em sua solidão,  chorava.  Queria apenas que lhe enxergassem, lhe ouvissem,  lhe notassem. Queria apenas saber como era existir. Dia após dia,  enquanto suas lágrimas rareavam, sua alma morria.  Pedaço por pedaço lhe arrancavam com mentiras e esquecimento. Seus risos diminuíram,  seus cuidados acabaram.  Resolveu ele se esquecer também. Plantou o bem mas não obteve colheita.  Regou o solo das memórias com suas lágrimas mas não fez crescer nenhum fruto. Caminhou pela ...
Tudo que faço é pra não enlouquecer Antes dessa última promessa cumprir Sozinho, isso não é mais viver Fechar um ciclo e à estrada seguir Sem olhar para trás, apenas andar E esquecer cada um desses segredos Sem nome, sem nunca voltar a amar Me entregar eternamente aos meus medos